quarta-feira, 4 de março de 2009

Olá caros amigos, estou de volta!

Peço perdão pela ausência... Estive em apuros, pois não conseguia escrever (experimentei o gosto agreste de um bloqueio).

Esta primeira postagem será do grande mestre Augusto dos Anjos.

Obs.: Não costumo postar poesias e escritos alheios, mas não resisti em compartilhar com todos vocês esta preciosidade.



Canto íntimo


Meu amor, em sonhos erra,

Muito longe, altivo e ufano

Do barulho do oceano

E do gemido da terra!


O Sol está moribundo.

Um grande recolhimento

Preside neste momento

Todas as forças do Mundo


De lá, dos grandes espaços,

Onde há sonhos inefáveis

Vejo os vermes miseráveis

Que hão de comer os meus braços.


Ah! Se me ouvisses falando!

(E eu sei que às dores resistes)

Dir-te-ia coisas tão tristes

Que acabarias chorando.


Que mal o amor me tem feito!

Duvidas?! Pois, se duvidas,

Vem cá, olha estas feridas,

Que o amor abriu no meu peito.


Passos longos dias, a esmo...

Não me queixo mais da sorte

Nem tenho medo da Morte

Que eu tenho a Morte em mim mesmo!


"Meu amor, em sonhos, erra,

Muito longe, altivo e ufano

Do barulho do oceano

E do gemido da terra!"



(Augusto dos Anjos) Pau d'Arco, 1905 (O comércio, 14/10/1905)



Acho que agora vocês entenderão o motivo do meu desaparecimento.