Ab aeterno
...
Abro os olhos vagarosamente...
Estou deitado sobre o solo negro de uma densa floresta de carvalhos
Repentinamente de desconforto sinto medo, e logo reconheço o causador deste sentimento que me consome.
“Pã estás ai?” pergunto à minh’alma, e sem resposta levanto-me.
Apesar de todos os carvalhos terem perdido as folhas estava escuro e via-se ao longe a lua pairando na abobada celeste (uma constelação se destacava... a de Virgo).
Enquanto sem trégua minh’alma chamava por Pã percebi que as Hamadríades me observavam e as ninfas zombavam de mim como fizeram com o pobre Pã nascido para amar e não ser amado.
Então gritei: “Oh deusa Nyx irmã do Caos senhora da noite, criatura nascida da inexistência, estas a esconder o fauno sob suas asas?”. E ouvi o silêncio
Então percebi que era a distância que Astréia mantinha de mim o motivo do meu total abandono no mundo dos deuses, deixando a terra suja de sangue e corrupção (e pensei: “Que perfeição era o mundo que estava”).
Então pela primeira vez neste mundo dantesco sorri, e fiz como Ícaro, só que livre da ignomínia que dominava sua mente juvenil... E subi aos céus com minhas asas de cera em direção a lua, seguro, para ser embalado por Têmes.
Triste ilusão...


