segunda-feira, 1 de junho de 2009

A Estrela

Olha! Aquela Estrela que vejo do meu quarto
Aquela Estrela que cintila mais, que é mais
Olha! Como a noite é fria e envolvente
Como é triste e calada, a noite dos meus sonhos

Sinta! O vento que sopra em minha fronte
O vento que leva meu beijo a você
Sinta! A lágrima que escorre por sobre meu rosto
Minha lágrima nostálgica, que cai feito chuva em dia tépido

Toma! Aqui está a Estrela dos meus sonhos
Aqui está minha ultima quimera, lhana e pura
Toma! Aqui está o Sol do meu pensamento
Aqui está meu pensamento, em arrebol ao amanhecer

Não, não peço que retribua este amor leviano
"Somente peço que onde você estiver não se esqueça de mim."


Adeus?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Olá caros amigos, estou de volta!

Peço perdão pela ausência... Estive em apuros, pois não conseguia escrever (experimentei o gosto agreste de um bloqueio).

Esta primeira postagem será do grande mestre Augusto dos Anjos.

Obs.: Não costumo postar poesias e escritos alheios, mas não resisti em compartilhar com todos vocês esta preciosidade.



Canto íntimo


Meu amor, em sonhos erra,

Muito longe, altivo e ufano

Do barulho do oceano

E do gemido da terra!


O Sol está moribundo.

Um grande recolhimento

Preside neste momento

Todas as forças do Mundo


De lá, dos grandes espaços,

Onde há sonhos inefáveis

Vejo os vermes miseráveis

Que hão de comer os meus braços.


Ah! Se me ouvisses falando!

(E eu sei que às dores resistes)

Dir-te-ia coisas tão tristes

Que acabarias chorando.


Que mal o amor me tem feito!

Duvidas?! Pois, se duvidas,

Vem cá, olha estas feridas,

Que o amor abriu no meu peito.


Passos longos dias, a esmo...

Não me queixo mais da sorte

Nem tenho medo da Morte

Que eu tenho a Morte em mim mesmo!


"Meu amor, em sonhos, erra,

Muito longe, altivo e ufano

Do barulho do oceano

E do gemido da terra!"



(Augusto dos Anjos) Pau d'Arco, 1905 (O comércio, 14/10/1905)



Acho que agora vocês entenderão o motivo do meu desaparecimento.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Ode as faces esquecidas

Legendário soldado a empunhar a excalibur

Expulsando os tiranos da terra sacrossanta

Recebendo a glória eterna pelas mãos de Arthur

Adorado, amado, morto e esquecido.


Alquimistas loucos em sótãos amarrados

Livros folheados em vão analisados

Pedras da imortalidade com aço forjado

Esquecimento, em meio a acusações de heresia.


Filósofos em um turbilhão de pensamentos perdidos

Aturdidos deixaram os místicos limitados

Com ímpeto as almas humanas destrincharam

Para em altas estantes serem abandonados


Desbravadores avançaram por florestas virginais

Mataram e foram mortos como míseros animais

Por Deus pelo Rei pela ganância

Hoje não restam nem mais tristes lembranças


Escravos sob açoite trabalharam

Vendados pela submissão maravilhas construíram

O preço da liberdade sangrenta pagaram

E hoje ainda temos sinais da tormenta


Viva aos rostos desconhecidos

Viva ao quadro ainda não moldurado

Somos náufragos no congelante mar do esquecimento

Apenas uma luz fraca vagando sobre as marolas


Pois o pior castigo é o esquecimento.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Exaltação ao céu noturno

Oh estrelas cintilantes cujas belezas inebriantes entorpecem meu ser

Mente, vagueia pela via Láctea passeia entre os astros afim de entender

Quão complexo és! Quão infinito és! Soprais algo em meus ouvidos?

Teus infindáveis mistérios são o exilir que alimenta minh’alma que as tormentas acalmam do revolto mar da existência.

Oh lua amante dos incautos, dos poetas, dos loucos, dos sonhadores... Hoje se apresenta tímida no negro véu... Por que!?

Estrelas cadentes riscam o céu para completar a magnífica orquestra celeste que se apresenta perante a mim

Onde estou? Sozinho me encontro? ... E ouço o responso que vem da minha consciência: VEJA!

Prontamente obedeço ao meu guia... Que magnífico...

No meio do nada estou... Atrás de mim uma fogueira de luz melancólica... Ao meu lado a mais bela criatura banhada pelo céu, ambos compartilhando o mesmo devaneio louco, ambos tocando a fronte negra do infinito... Em frente a nós uma imagem de dois gigantes projetada na mata escura que estranhamente resgatou um medo infantil que rindo confessávamos um ao outro

Pobres frágeis crianças gigantes... A sós contemplando a imensidão...



Post Scriptum: Dedico este escrito a Cândida Carpes um ser singular que sem duvida contribuiu para meu crescimento, desconheço palavras que possam efetivamente adjetivar-la, portanto absorto no mais profundo recôndito de gratidão digo Obrigado Candy!



quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Pseudo-felicidade

Feche os olhos para não viver a agonia cortante...
Um mundo, onde o patético e o pavoroso coexistem
Anjo, linda de rosto aspectral e ebúrneo.
Que embala meus sonhos, acaricia meu âmago gritante...
Vê-la... Minha voz dura enternece ao ouvir seu cantar sacrossanto
Esquecer me faz dos sons imbecis, das falsas luzes ofuscantes, de falsas alegrias.
Seu semblante pálido se destaca em meio as meus pensamentos, envoltos pela nevoa e banhado pelo luar.
Se um dia tu partires, acompanhar-te-ei por caminhos desconexos, que a lugar nenhum tem como destino.
Todavia, se andar tu não poder, alce vôo, voe alto que estarei te acompanhando em espírito.
Anjo, mulherforme chamada felicidade
“Cantem outros a vida: eu canto a morte...”.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Mundo dos deuses

Ab aeterno

...

Abro os olhos vagarosamente...

Estou deitado sobre o solo negro de uma densa floresta de carvalhos

Repentinamente de desconforto sinto medo, e logo reconheço o causador deste sentimento que me consome.

“Pã estás ai?” pergunto à minh’alma, e sem resposta levanto-me.

Apesar de todos os carvalhos terem perdido as folhas estava escuro e via-se ao longe a lua pairando na abobada celeste (uma constelação se destacava... a de Virgo).

Enquanto sem trégua minh’alma chamava por Pã percebi que as Hamadríades me observavam e as ninfas zombavam de mim como fizeram com o pobre Pã nascido para amar e não ser amado.

Então gritei: “Oh deusa Nyx irmã do Caos senhora da noite, criatura nascida da inexistência, estas a esconder o fauno sob suas asas?”. E ouvi o silêncio, pois minha voz vinha da razão e profanava o sagrado lugar.

Então percebi que era a distância que Astréia mantinha de mim o motivo do meu total abandono no mundo dos deuses, deixando a terra suja de sangue e corrupção (e pensei: “Que perfeição era o mundo que estava”).

Então pela primeira vez neste mundo dantesco sorri, e fiz como Ícaro, só que livre da ignomínia que dominava sua mente juvenil... E subi aos céus com minhas asas de cera em direção a lua, seguro, para ser embalado por Têmes.

Triste ilusão...

domingo, 9 de setembro de 2007

O relógio e eu

Sentado num sofá, observava um relógio de pendulo.
O frio e o silencio castigavam aquele lúgubre lugar
Direita... esquerda
Seu movimento oscilante, e estalar agonizante me encantavam.
Enquanto isso suavemente o som de uma musica começou a encher o lugar
“Tchaikovsky, claro, inconfundível” eu pensei.
Na medida em que a música tocava, acredito-me que ia sendo deslocado para um outro lugar, pois não conseguia sentir o chão nem o odor de madeira velha do lugar, muito menos o rangido do assoalho (apesar de tudo ainda ouvia o estalar do velho relógio).
Aos poucos consegui ver onde estava.
Um grande salão de festa surgiu na minha frente como um fantasma que sai das brumas.
Mas algo me chamava a atenção no pomposo lugar, e não eram as pessoas trajando belas vestimentas de seda, muito menos suas risadas forçadas nem a banda sisuda que tocava ao lado de onde eu estava, mas sim do velho relógio à minha frente com seu pendulo a oscilar.
Lembro-me que ia pra um lado e para o outro, seguindo seu movimento, e desta forma ia avançando salão adentro... E fui ziguezagueando desta forma até atingir a extremidade oposta do salão onde ele estava na parede.
Ao tentar toca-lo, a musica parou o salão sumiu junto com a banda e as pessoas que estavam dentro dele e percebi novamente que estava sentado no sofá.
Levantei, ainda fazia frio, apesar de tudo ainda podia ouvir a bela música.
Continuei a oscilar como o relógio do casebre materializado no salão.
Direita... esquerda...
E foi neste dia em que ao som de Tchaikovsky dançamos eu e o relógio.